Que devo pintar num quilombo ?


Quando Sampaio capitão da embarcação Codak,e nosso capitão na expedição são Brás me disse que La era um remanescente quilombola, botei minha cabeça pra funcionar, tentei identificar, zumbi chegando no barco da gente pra pegar as coisas na canoa e levar pro seco,  sabia que ia achar coisas inspirar e mil pra me emocionar, seguindo  a pensar o que pintar e escutando da boca do povo a própria vida do lugar entre um caranguejo e outro me falou no meu ouvido, falou de um tal samba chula, de uns marisqueiros e samba dores que vivem por La, eu lembrei que ao ler um livro de Abdias, ele dizia que a primeira coisa que acontece com o escravo livre é usar roupas de livre, e exaltar seus lideres, reproduzir o que  ouviu dos antepassados que viviam em áfrica, fui da um pesquisada sobre isso e vi que um tal Michael Pollack, a memória é, em parte, herdada, e não se refere apenas a vida física da pessoa. (...)  podem existir acontecimentos regionais que traumatizam tanto, marcam tanto uma região ou um grupo, que sua memória pode ser transmitida ao longo dos séculos com altíssimo grau de identificação. Baseado nisso, fui buscar os nomes os lideres que deveriam ser lembrados pelos moleque de La,, que deveriam ser exaltados por artistas poesias e canções no futuro dos nossos dias, chegamos em três nomes, alumínio, João do boi e KAU, em conversa com os moradores escutei  historias mil, ao pintar um pandeiro e duas mãos negras podíamos estar fazendo qualquer um na Bahia no passado ou no futuro.
                       
Se depender de nos não será esquecido, e será reproduzida por longa data historia de dois ou três negros que com um pandeiro na mão fizeram a terra sorrir e sambar, com sua bela maneira de sambar dor, dor que vira alegria, desde que o samba é samba! Chora papai chora mamãe chora comgoba que foi pro além, resgataremos sempre que possível zumbi, akotirene,  gangazumba, serão feitos núcleos de resistência pensando em kalakuta, Macaco, Subupira, tabocas, viva o samba chula, viva o futuro que já toca samba desde que nasce e sempre terá João do boi alumínio e kau como mestres pra toda a vida                             


 pintura realizada por zacarias, em homenagem a João do Boi e Aluminio tocadores de samba chula

 veja quem são os homenageados nesse belisimo vídeo disponível na internet.
Antonio Saturno, conhecido como Seu Alumínio, foi um cantador de chulas do recôncavo baiano. Nascido em Santo Amaro da Purificação (BA), Alumínio era um dos membros do renomado grupo Samba Chula de São Braz, ao lado do seu irmão mais novo, João Saturno, conhecido como João do Boi. Os dois irmãos aprenderam a arte de “gritar” chula e tocar pandeiro com o pai, que era exímio sambador. Moradores da vila de São Braz, vizinha à Santo Amaro da Purificação, os dois trabalharam como vaqueiros, marisqueiros e agricultores. Mais tarde, Alumínio trabalhou por muitos anos na fábrica de papel Impasa, onde se aposentou, condição que lhe permitiu, nos últimos anos de vida, dedicar-se a música e à agricultura.
O Grupo Samba Chula de São Braz foi fundado oficialmente em 1995 e desde então vem espalhando muito samba e muita alegria por onde passa. Os sambadores e sambadoras, originários de São Braz, vila que dá nome ao grupo, já estiveram em festivais musicais e realizaram apresentações no Brasil e no exterior. Em 2010, antes de seguirem para a Dinamarca, onde se apresentariam no maior festival de música do Mundo, o Womex, o Grupo Samba Chula de São Braz esteve comemorando os seis anos do Museu Afro Brasil em uma grande festa regada a Caruru e muito Samba de Roda. As presenças ilustres de João do Boi e Seu Alumínio encheram os espaços do museu de alegria e música. 
O Samba Chula, original do recôncavo baiano, é uma das modalidades do samba de roda. Suas características principais são as letras versando sobre o cotidiano do recôncavo, com altas doses de sabedoria, conhecimento e ironia; o seu instrumento solista, chamado Machete (às vezes substituído pelo violão ou pela viola); o canto em duas vozes; além do fato das mulheres só poderem sambar no centro da roda quando o machete esta solando - jamais quando os cantadores “tiram” a chula -. Alumínio, quando cantava chula, era capaz de fazer a primeira ou a segunda voz, mas quando acompanhava o seu irmão João do Boi, exímio cantador e compositor de chulas, costumava realizar a “segunda” voz, mais grave em relação a primeira, mais aguda. Seu cantar também se caracterizava por uma onomatopeia, que ele realizava em alguns momentos, “imitando” o som de um afoxé. A voz se juntava assim à batucada, preenchendo o ritmo do samba caracterizado pelo modo singular de tocar pandeiro dos dois irmãos. Os cantares de João do Boi e Alumínio, gravados no cd Quando Dou Minha Risada Ha, Ha no ano de 2009, podem ser ouvidos na exposição “O Que É Que a Bahia Tem”. Uma forma de homenagem e agradecimento a Seu Alumínio, este grande Cantador de Chula, mestre da cultura popular baiana, falecido neste mês de maio. Chora Viola!
(Font museu afro)


o samba chula. importante arma
O Samba de Roda do Recôncavo é reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Imaterial da Humanidade. O grupo Samba Chula de São Braz foi um dos grupos pesquisados, inventariados e registrados em foto, áudio e vídeo, constando sua participação no cd – áudio e no dossiê do samba de roda, ambos lançados pelo Iphan 
(fonte asseba)


Testo e pesquisa: Julio Costa

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