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Resistencia por residencia, o nascimento da praça da poesia

Ogum, Exu, e Oxala conversavam  como se guerrearia com cores naquele dia de sol!

aquele mero mortal, observa que meio do  mato estava ela dormindo, sem escutar palavras dormia furibunda, embaixo do entulho e do mato alto, uma coberta toda rasgada uma desgraça so, não dava pra passar tinha medo do bicho que tava pelo mato, tinha medo do caminho que se fazia por sobre ela, na subida da escada o cinza tomava conta de tudo,
 fui descendo com a Mão na cabeça como se coçasse ela toda pronto pra gritar é impossível mudar isso aqui, mas a praça estava ali, os degrau a ausência de palavras no terreiro num dava nem pra sambar, de tanto que tava feio eu mesmo nem vi o chão pensei que nun dava pra mudar, gritei por dentro,  
meio que irracionalmente por instinto peguei uma bisnaga azul e ali faminto meti na tinta, dentro dum pinico que tava por ali, e mexi, mexi como quem meche pra fuder cum mundo inteiro, a cor se tornou o céu azul ali no vaso, o rolo, a parede cinza deixando de ser, calada,  gritou no intervalo entre uma gozada daquelas que deixa de ser cinza e outra me fez sentir potente e  derramar a ultima gota do azul, 

um menino sorrindo na Mao do graffiteiro nascia ali.

o nascimento do sorriso do menino, me pareceu o nascimento da vénus ali no meio da praça que ainda não nascera, aos poucos via outros tantos, de todos os lugares, da ladeira da preguiça do solar, de brasília, da ribeira, de tudo quanto é lugar, descendo com tinta, PA foice facão, pra capar o mato e o descaso, alguém me falou uma palavra bem baixinho no PE do meu ouvido, 

desafetação do frontispício de salvador afetado por pessoas que moravam ali, olhei pro bode que declamava a historia, e não entendi como assim, quer dizer que o frontispício o precipício visto de frente quando os magnata chegam, de iate de lancha, ou de sei La uq, que  rico usa pra se locomover estava afetado por pessoas, e isso não podia,, então pensei no contrario, vamos afetar, vamos criar afeto pelos lugares, lugar tão lindo que nem esse onde comi pitanga colhida no PE, como ainda não era hora das palavras as esqueci por enquanto,  mais não pra escrever na escada, pra escrever nas coisas, pra pintar, e agora Jose a tinta acabou, olhei pra situação que se repete sempre a tinta acabou alguém exclamava, deus multiplicaria, então.

 pousaram pássaros,

Sapos pousaram

 e fotos pousaram também,

 na escada pousaram palavas mil

Ate o circo como era de se esperar se fez presente

 e se fez um Raídiluz, que alumiou de um tudo limpando a praça suor sede, calos nas mãos do artista, a praça foi aparecendo o entulho foi virando canteiro,
             

 o mato virando jardim, o terreiro foi virando praça, ali o sol foi bronzeando as carnes brancas pretas e algumas carnes ate azuis, 

 La por volta de mei dia e mei, se sentou-se a mesa num lugar de lindeza linda demais, com amigos sorridentes, suco de pitanga, ensopado um tiquim que deu pra todo mundo, uma rede, uma cervejinha, umas crianças brincando no pe de pau, um jeito daquele que o mundo todo era antes do concreto.

 o cinza virando cor, alguém subiu com a voz alta e recitou era uma casa muito engraçada, so tinha arte não tinha nada só tinha cor não tinha mais nada, so tinha poesia não tinha nada.
a praça da poesia nascia, a praça da poesia acordara bonita colocara roupa de gala e lingerie preta pois aquela noite ela iria se apresentar como uma prima dama, e certamente teriam mil amantes.

 
  não esquecendo do cha de erva doce, e do ensopado que um rasta que mora na ilha fez, e assim foi o dia e amanha do dia primeiro, 

  nao adianta nem me abandonar porque mistérios pintar por ai.

  va desafetar noutro lugar aqui é lugar de afeto.

 Fim 

Fotos: de Leo Costa ( as que não são dele bem que poderiam ter sido)
Texto: Julio Costa
Projeto: Sarau da chácara, resistência por residencia.











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