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Quilombo do Samba e do Marisco

A missão era básica, ir de barco até a Vila de São Brás no recôncavo, comer uma moqueca no meio do mar preparada pelo capitão Sampaio, chegar à cidade, pintar tudo, comer muito marisco e conhecer o famoso samba chula que faz parte da cultura local. Mas, não imaginávamos o que estaria por vir...

Começamos a viagem carregando o Barco Kodak com mantimentos e tinta
Sampaio preparava a moqueca que comeríamos
Apesar do mar não estar pra peixe, seguíamos alegres e sorridentes
Subitamente o leme do barco se rompeu e ficamos a deriva
A noticia chegou como uma bomba para a alegre tripulação
 pelo radio o capitão Sampaio chamou a guarda costeira.

  Quando estávamos todos muito preocupados o resgate finalmente chego

em alta lancha e o rebocador barco veio a nosso socorro
 Quando estávamos todos tristes vendo a viagem ir por água a baixo, grita o capitão Sampaio: Não quero saber, MISSÃO dada é MISSÃO cumprida! Vamos por terra, tem 10 Kg de camarão e caranguejo lá pra gente
e lá vamos nós de carro... 
conforme prometido 
Para manter a energia durante a maratona de arte, o mestre Sampaio preparou verdadeiros banquetes, a todo instante chegava um prato de alguém que queria ajudar, caranguejada, siri mole, marisco de todos os tipos, e claro uma boa cervejinha pra acompanhar. Esse clima acolhedor deu animo e logo após  desse almoço faraônico pintamos um  grande caranguejo como agradecimento.
 

Mas, não fomos ali só pra comer e sim para armar nosso circo e levar nossa arte 

Na noite do primeiro dia começamos a pintar casas.

ao finalizar tudo para nossa surpresa rolou o famoso Samba Chula
veja um video de divulgação do Samba Chula
A manhã do segundo dia 
o poder da cor chegou pela mão daqueles doidos que não eram dali
  Logo, todos os moradores se envolveram na pintura e no movimento.
 
O poder em torno da cor nos provou mais uma vez  que ao redor de um muro tem muita vida e que a cor colocada no muro entra  na vida de quem está ao seu redor, o ato de empunhar um pincel, um rolo, um spray naquele dia foi muito além da superficial  pintura, em um local tão simbólico como um quilombo, que é o caso da vila de São Brás.

Acredito que o ato de pintar pode ser igualado a uma rasteira em um capitão do mato, ou o ato de tocar um pandeiro....

 
 A criançada se ocupou de pintar o meio fio da rua.
 

Faça você mesmo!

Teve também expo de fotos feitas por crianças de uma escola local, sedidas pela professora Dinha



A manhã do terceiro dia pode ser facilmente chamada de contágio, isso mesmo, a cor contagiou a cidade. Para nós foi fundamental, pois o grupo já apontava cansaço e os gritos na rua vindos da boca de uma tropa de homens mulheres e crianças, nos chamavam pra pintar a cidade, todos muito dispostos nos deu animo para a reação.
 Pegaram as tintas os rolos os sprays e levaram para a praça, pintaram casas e a todo instante chegava um prato de comida de alguém que queria colaborar com a guerra. Fiquei feliz ao me ver no meio da suposta mudança.
 
Pegaram as tintas os rolos os sprays e levaram para a praça, pintaram casas e a todo instante chegava um prato de comida de alguém que queria colaborar com a guerra. Fiquei feliz ao me ver no meio da suposta mudança.


 
Os grafites foram feitos na sua maioria por Julio costa  e Zaca oliveira, tendo a participação da comunidade, além da surpresa de ver Antonello Soltar a câmera e pegar no spray, Cris que tem a sua intervenção nas colagens com chita em locais inusitados abrilhantou as artes. 
Foram dois dias de muitas cores.

 
 
 
 intervenção com chita por Cris
Como era...

   como ficou...

  pra fechar com chave de ouro alugamos essa casa e declaramos o 

centro cultura pela revitalização de São Brás

add o facebook do centro
https://www.facebook.com/ccquilombosaobraz


Movimento realizado por Gilson Sampaio e apoio MUSAS, Chácara de Santo Antonio, Antonello Venerri e Centro Cultural Que Ladeira é Essa?
Texto Julio Costa
correção Shai Andrade
fotos : Marcio Slam

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