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O balanço é sim de Verdade




Julio Costa e Clarice Angelica( 4 e 6)
Era um dia desses que o mundo não se meche, que alguém me adicionou no facebook a procura de que eu pintasse balanços. Tomei um susto ali sentado na minha cadeira careta que não se da o direito e balançar, olhei pra mim mesmo no reflexo do celular e disse "puta que pariu mais um doido!" Assim segui a conversa e escutei sobre o projeto e sobre a ideia de pintar, vi fotos, e tive certeza, mais um doído mesmo. Mais dessa vez depois de ler sobre o projeto (um convite pra ocupação do espaço público pela brincadeira... pras crianças quanto pros adultos... veja na integra no final da pagina) 
pensei quando era pequeno e reservava as balançadas com minha irmã num balanço no quintal de casa, quintal esse enorme onde brincávamos. Tínhamos galinha cachorro e fantasias de heróis. Quintal esse que não existe mais hoje. É uma sala um quarto e uma cozinha. Meu pai preferia o concreto, perdemos o quintal perdemos o balanço mas nunca a fantasia de herói. No dia tal, hora tal, subi no ônibus, um dia de sol, catei as latas e falei "lá vou véu pra uma daquelas missões", camisa branca calça jeans, qual seu nome mesmo, thairo, fui no ônibus 
pensando na minha irmã, no céu do nosso quintal, na goiabeira que foi cortada. Cheguei no dois e julho e estava lá o cara de camisa branca com uma bicicleta cheio de madeiras nas costas e seu par, uma menina dos olhos claros. 
Fomos ate o primeiro ponto, a vila dos mil caciques. Ele subiu numa estrutura de ferro feito uma cabra, subiu sem pensar, quando vi já estava lá. Olhei pra os lados e um monte de gente olhando pra cima


eu tirei as tintas e comecei a pintar. Chegou um dos caciques do lugar e disse que não podia pisar na grama. Depois voltou e disse que não podia colocar balanço.


E por último, que toda a praça era dela, e que o certo era colocar placas de políticos..a coitada nem sabia que a praça e Do povo como o céu é do condor

E Não aguento com os caciques donos de lugares públicos. Mas na paz, seguimos tentando procurar um galho uma arvore. E nada. Não tinha arvores. Fui ate a ladeira pra eles conhecerem e nada de árvore. Liguei pra chácara santo Antônio e talvez lá tivesse um galho. Seguimos a procura e nada de galho, nada de árvore. Seguimos e nada mesmo. 
A cidade não tinha árvores era um pesadelo. Encontramos uma, mais era perto da pista. E continuamos sem árvores. Chegamos a casa da poesia de Márcio Slam (bode)
no alto da Chácara Santo Antônio, e assim, por um momento o grupo esqueceu a missão e se distraio no cultivo da pitanga.

Logo voltamos à missão, e também lá não tinha uma árvore sequer que desse. Então achamos uma casa de, de agora por diante, balanços. Logo márcio soltou "que bode eu sou e se sou bode" (clic aqui e veja a poesia de Luiz Gama na integra). Depois do graffiti na parede a poesia na cabeça, as balanças na casa,
demos risada. Chegaram outros para ver a inauguração do balanço e na sequência, nos balançamos...

numa dessas balançadas olhei pro mar, olhei pro céu, olhei pra 
casa sem teto e vi o meu Quintal, pelo momento de uma balançada de volta.

Fico aqui com um pedido: doe um balanço, ou melhor, doe um galho pra gente!

Agradecimentos especiais

Thairo Dos Reis Pandolfi idealizador o projeto balançaê 
Mariana Andrade dos Santos Balançaê
Marcelo Teles-Projeto que ladeira é Essa?
Marcio Slan( bode) ocupação Roça de Santo Antonio
Ao MUSAS
Pareta e Tauam Por vir na inauguração.

segue o texto o projeto

Cartografias de um movimento qualquer

                       BalançaÊ

                                                                                    
Como usar a cidade? Minha cidade, nossa cidade, cidade de qualquer um.

Dizem que a criança não entende bem distâncias. Corpo que muda rápido, experimental. Se o próprio tamanho muda, o espaço se torna relativo. Acho que por isso que o afeto cresce. Se o espaço não é concreto, é sentimento. A subjetividade da criança, assim como nos fragmentos de texto acima, experimenta uma cidade diferente. Onde as distâncias são mais saudade que quilômetro ou horas de trânsito, onde a areia ou a pedra não estão no caminho, mas o são.

Nessa proposta de trabalho  buscamos, através de diferentes dinâmicas e instalações, o lúdico, o singular, a relativização das paredes e tetos invisíveis que criamos na cidade. Procuramos o sentir-se bem da cozinha na praça, do quarto na grama, da sala de estar na calçada. O participar da rua como extensão da casa. Da desconstrução da casa e da construção coletiva da cidade. O espaço de qualquer um é de todos. O pertencimento traz cuidado. Aquele cuidado de aconchego, de colocar perto e fazer parte.

Esse cenário é também um circo, um cinema, um quadro de pintar. A cidade é tudo isso e muito mais. Queremos explodir essa subjetividade em milhares de pedaços e espalha-los.

Cenas de um cotidiano

Um garoto risca o chão com giz de resto de obra. Desses de rebaixamento de gesso, que da pra escrever pra sempre. Faz amarelinha, dragão, quadrado de pisar e não pisar. Escreve recados pra pés. Só quem lê é quem procura o chão. Quem entende o menor. Ou tem sorte de desamarrar os cadarços. Perder uma moeda. Acaba ganhando outro valor na calçada e na rua. Um valor sem preço.


Uma garota sobe numa árvore, se esconde. Faz de gata e espia a cidade de cima. Passa quase despercebida. Só consegue vê-la quem procura os pássaros, olha pra cor do céu ou se estica no meio da correria cotidiana,  alonga o corpo e seu alcance. Ela não faz barulho nenhum. Fica a espreita.
 



Uma menina se desloca por uma calçada lotada de pessoas, dançando com todos os corpos apressados. Ela atravessa o espaço quase sem direção, mas com todo sentido. Sim, ela sentia tudo! Os toques, olhares, as vozes, a música quase que só dela, percebida pelos demais na dança do seu corpo.




Mas então como tencionar essa cidade tradicional?


O balanço é a possibilidade. Ele é a proposta de uma nova visão, mas também é o ponto no tempo, o momento agora, o contra-fluxo. Nessas variedades, o definir quem faz é o usuário, pela verbalização do objeto balanço, tornando-se sujeito da ação, significando o balançar de forma ativa e propondo, ele também, uma série de contra pontos através dos olhos de observadores que acompanham seu ir e vir, um todo dinâmico, sem objetivo linear. Ele se faz no ato a tensão em si e seduz pela vontade de brincar inerente a nosso devir- criança.









Afinal de contas, o que será feito?
Pois bem, serão mapeados lugares em potencial no tecido urbano. A potência buscada, do lúdico ao crítico, será encontrada por processos de deriva. Assim mesmo, correndo, dançando, andando de bike pela cidade, falando com qualquer um por ai. Seguindo o chamado da cidade, poderemos encontrar lugares que esperam por alguns quaisqueres, em bando, propondo espaços potência, questões e convites.







Como será feito o balanço?
Os balanços são montados com madeira de resíduo de obras da construção civil. Algumas tábuas utilizadas como fôrma para concreto são descartadas, podendo ser reutilizadas para balançar. Assim, o processo já começa com uma releitura, seguindo a mesma linha, mas como ferramenta de alargar os horizontes da cidade, como diria Manoel de Barros.

 


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