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a historia de um MURO, por Leia Passos

Fomos convidados para falar sobre arte de rua na UNEB e Santo Antonio de Jesus- Bahia, la chegando demos palestras e pintamos alguns muros,  fizemos uma grande amiga Leia Passos que nos emocionou muito ao escrever o texto que se segue


A Uneb campus V, era uma universidade como outra qualquer, cercada de muros...  Muros são característicos de universidades. Não sei se já vi alguma instituição de ensino superior que não os tivesse. Mas, o que é um muro? Parede fria, pálida e desprovida de sentimentos? Matéria morta, que além de tudo, ainda impede a brisa fresca passar? Não, o muro só parece estar morto, mas ele espera por alguém que o faça viver.

Grande Interação do Publico

Armas de construção

Do lado de fora do muro está alguém a passear. Carregado de calor e emoções, ele pode derreter a frieza do muro. Nas costas uma mochila. Dentro dela, um arsenal para ser usado na luta contra o descorado que sofre por assim ser. O muro, que sempre dorme por não ter o que fazer, de repente acorda, pois sente o calor eufórico vindo de alguém que está em êxtase como quem encontra um rico tesouro. Ele sente que enfim, poderá dar prazer aos seres que o contornam diariamente. Mas, de repente ele percebe que tudo passava de um sonho e adormece mais uma vez.
Julio E O GATO
Kbça durante um das palestras

Porém, partilhavam da mesma ânsia do muro, algumas estudantes que todos os dias contornavam e confrontavam-se com as paredes sempre iguais daquele lugar. Passaram então a partilhar um sonho de cor: o grafite.
A partir daí, lutas diárias foram travadas para que pudessem chegar aquele lugar, pessoas como aquela que visitou o sonho do muro.
         
o sapo e seu criador Bigod

   E então, numa manhã, chegam sem medo do que poderiam enfrentar, uns homens estranhos para a cidade, com mochilas nas costas. Eles não tinham medo, pois desafios muito maiores já tinham enfrentado, sonhando um sonho e fazendo de tudo para concretizá-lo. Sonho esse, chamado MUSAS, um museu de arte de rua, que também os motivou a conhecer o desconhecido, e tudo contribuiu para que eles conhecessem aquelas estudantes que ansiosamente aguardavam o encontro com quem poderia trazer novidades multicolores.


painel A fonte da Cor



O muro, ao ser despertado pelo chão que recebia passos diferentes dos que sempre passavam por ali, estremeceu.   Uma esperança resurge: COR!
Os homens abrem suas mochilas e colocam no chão pequenas latas que em suas mãos trariam ao muro grandes expressões, expressões essas que dariam vida ao cinzento muro.   

Ao sentir aquele primeiro jato forte bater em sua estrutura, o muro consegue como nunca havia feito antes, respirar. A cada traço, a cada desenho formado, novos olhares direcionam-se ao ser até então inanimado, e ele sente que passa a viver.


Depois desse dia, mesmo depois da partida dos artistas que o transformaram, o muro não é mais o mesmo. É difícil agora adentrar no campus universitário e não lançar o olhar para aquele painel tão vivo e colorido que ali está e a cada novo olhar, o muro percebe que agora ele é visto, e sente-se bem por ali estar. Ele não mais dorme o tempo todo, as cores que carrega em si, o faz querer viver intensamente, pois agora ele sente que todos percebem que ele está ali e gosta de exibir suas novas nuances.  
Aí, se percebe qual a função daqueles caras que carregavam mochilas nas costas: Transformar a existência e dá essência aos muros.
Agora, a universidade tem uma nova cara, tem mais cor, tem mais arte! E aqueles caras de mochilas nas costas voltam mais uma vez. Agora, que já deram vida ao muro, levam arte para as ruas da cidade, deixando mais bonito o caminho daquelas estudantes que um dia os convidaram para acordar o muro que há muito dormia.   
Eles não cansam do que fazem. Deixar os lugares mais bonitos é uma forma de agradecer pelo dom que receberam, o dom de fazer com as mãos beleza, e a comunidade agradece. Eles trouxeram a estudantes que estão numa cidade que não muito se importa com a cultura, uma nova visão do que é arte.      
Hoje, aquelas estudantes que sonharam com o grafite em sua universidade são outras, o entorno da universidade é outro. E o muro? O muro? Ele jamais será mais o mesmo! Ele preferiu viver e vive a transformação do grafite!   


Segue Making-of do painel a fonte da cor:










































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