Um dia no uruguai sobe o olhar de Veronica Lanza


Um telefonema para Julio do celular de Bigod, e peguei o primeiro ônibus
em busca da Rua Uruguay direção Ribeira. Chegando na primeira
indicação do campo de futebol. Não me restava nada mais além de perguntar as outras
varias indicações como o colégio,  
o espaço cultural, o grafiti, "as crianças", e com ajuda dos moradores que gentilmente se alternavam para me levar até os rapazes no campo de futebol e basket onde pintavam um enorme mural.


No primeiro impacto foi difícil entender
quem se divertia mais: as crianças? Julio, Bigod e Prisk? Os pais com
os bebês no pescoço? Os adolescentes que entre um chute na bola, ou
uma cesta de basquete e com duas pedaladas, pararam com a cabeça entre as
nuvens e se sentaram para admirar o final do graffiti. 



Depois dos
primeiro minutos de timidez fui envolvida por um enxame de crianças
curiosas e barulhentas que me acompanharam na grande festa desta tarde
no Uruguay.

 Além de terem me chamado "Tia", escolheram os personagem que
cada um deles gostavam mais, para tirar seus retratos criativos em
frente.  Eles que me repetiam muito orgulhosos,
que tinham pintado o fundo. Ao mesmo tempo que observava Julio que
estava a 6 metros de altura em pé, a corpo teso, em uma escada vacilante
pintava e ria continuamente pelas brincadeiras das crianças, me veio
uma luz.
 
O milagre não é somente uma arte deles, embelezar os muros com desenhos criativos e pensativos, mais é além de tudo dedicar horas e
horas juntos compartilhando e fascinando dezenas e dezenas de moradores
da comunidade que participaram ativamente do espetáculo. Quem quiser ajudar
nos últimos detalhes, quem quiser compartir a sua paixão de
desenhista,
 ensinando fiel mais assustado seu lindo livro de desenhos
ao seu ídolo, Bigod. Quem quiser simplesmente agradecer por dos dias de
trabalho inesquecíveis de 3 rapazes que falam a mesma língua da rua e
da vida deles.



Bigod revive nos olhos deste menino ele mesmo, e pega seu caderno com todos os seus desenhos para dividir com o aspirante a artista junto com
preciosos conselhos. O caderno vem respeitosamente passado de mão em
mão das crianças como um tesouro descoberto. 
A noite escura chega,
quase no esquecimento absoluto, quebrados e silenciosos Julio e Bigod
com a cintas, os materiais e as escadas nas costas vão embora,
fazendo um outro pequeno grande milagre, deixando pra trás deles
somente alegria,harmonia e vontade de viver e criar. Os poucos que
acordaram deste sonho nos seguiram correndo para despedir-se, apertaram
a mão sorridente, "foi um prazer conhecê-la", só que o grande prazer
foi o meu, somente meu.



OBRIGADO,



VERONICA

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